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Astrocitoma

Astrocitoma
0 27 de maio de 2020

Os tumores que acometem o Sistema Nervoso Central possuem manifestações clínicas, sintomas e formas de tratamento ligeiramente distintas. Isso porque tais tumores podem ser tanto benignos quanto malignos, além de poder atingir diferentes estruturas nervosas, como por exemplo:

  • Neurônios
  • Meninges
  • Células gliais

No encéfalo humano as células gliais (células de sustentação e auxílio aos neurônios) mantém uma estreita relação com os neurônios ao seu redor e, portanto, com especificidades anatômicas, fisiológicas e funcionais. A seguir, serão apresentas características fisiopatológicas do chamado astrocitoma, um tipo de tumor que acomete células gliais chamadas astrócitos.

Astrocitoma – o que é?

Definidas por alguns pesquisadores como “o gigante adormecido das Neurociências”, as células gliais representam grande parte do tecido encefálico, possuindo função fundamental para a atividade neurofisiológica. O termo glia possui sua etimologia derivada do grego, que significa “cola”, e se deve ao fato de se observar que as células da glia (ou células gliais) fornecem sustentação anatômica aos neurônios, servindo literalmente como uma espécie de cola que mantém neurônios em posição favorável à comunicação sináptica.

Os astrócitos, por sua vez, são as células gliais mais abundantes do Sistema Nervoso Central, que possuem o formato de uma estrela (daí o nome astrócitos: astro = estrela, cito = célula), e são responsáveis por funções como:

  • Regulação de neurotransmissores na fenda sináptica
  • Controle de substâncias extracelulares
  • Suporte anatômico e funcional aos neurônios
  • Participação hemato-encefálica, auxiliando na manutenção da imunidade e homeostase cerebral

Um astrocitoma, portanto, se trata de um tumor que acomete os astrócitos, prejudicando suas diferentes funções.

Principais características do Astrocitoma

Uma característica importante de ser enfatizada se refere à sua prevalência. Estima-se que cerca de 20% dos tumores que acometem o Sistema Nervoso Central são Astrocitomas.

Outro aspecto importante do ponto de vista clínico se refere às suas características fisiopatológicas. Ainda que seja raro um astrocitoma se disseminar para fora do encéfalo ou da medula, os astrocitomas podem ocasionalmente se espalhar por todo o tecido neuronal, tornando assim o tratamento cirúrgico inviável.

Por fim, cabe mencionar que os astrocitomas podem se manifestar em diferentes graus, a saber:

  • Astrocitomas Pilocíticos (grau I – OMS): estes astrocitomas não costumam apresentar disseminações, sendo bem delimitados, podendo ter área nodular com cisto adjacente, normalmente tendo um bom prognóstico, sendo mais comum em crianças do que em adultos.
  • Astrocitomas (Difusos) de baixo grau (grau II – OMS): estes astrocitomas, ainda que apresentem crescimento lento, podem acabar acometendo áreas adjacentes aos astrócitos. Além disso, conforme o quadro se agrava o crescimento pode tornar-se gradativamente mais rápido. Possuem um potencial de malignização (evolução para graus III e IV)
  • Astrocitomas anaplásicos (grau III – OMS): astrocitomas que crescem mais rapidamente, com poder de invasão, alta taxa de reprodução e algumas áreas de necrose, acometendo áreas adjacentes aos astrócitos. Já é considerado “maligno”.
  • Glioblastomas (grau IV – OMS): tipo mais maligno dos Astrocitomas, afeta tanto astrócitos quanto neurônios, se espalhando por tecidos adjacentes rapidamente. Este tipo de tumor é frequente, e a sobrevida é muita prejudicada, mesmo com os avanços atuais da Medicina. Quando ocorre as chances de cura são bastante reduzidas, porém estudos atuais mostram que diferentes sub-tipos genéticos podem trazer resultados de tratamento melhor.

Sintomas iniciais

Os sintomas iniciais de um Astrocitoma variam de acordo com a região onde se encontram as células acometidas em maior volume. Isso porque algumas regiões do encéfalo são responsáveis por funções bastante específicas, como o córtex pré-frontal que modula funções cognitivas como atenção, concentração e funções executivas, por exemplo. Por isso, em alguns casos o paciente pode apresentar sintomas isolados e bem específicos, como por exemplo:

  • Mudança súbita do humor, da personalidade e do controle dos impulsos
  • Desorganização e perda do interesse em atividades prazerosas
  • Perda da audição e comprometimento das habilidades visuoespaciais
  • Prejuízos na linguagem falada ou escrita
  • Alteração de força
  • Alteração de equilíbrio e de marcha

Contudo, Astrocitomas de crescimento lento pode atingir regiões pouco específicas, e o paciente apresentar inicialmente sintomas menos específicos, como por exemplo:

  • Dores de cabeça
  • Sonolência
  • Visão turva
  • Desorientação

Como veremos a seguir, estes sintomas podem dificultar o diagnóstico precoce.

Diagnóstico

Quando o astrocitoma acomete regiões encefálicas responsáveis por funções cognitivas mais específicas, normalmente o paciente procura um Neurologista ou é sugerido por um familiar que tal profissional seja consultado. Contudo, nos casos onde o astrocitoma se manifesta causando sintomas iniciais mais genéricos, o indivíduo pode demorar mais a obter um diagnóstico correto. Isso porque os sintomas mais genéricos costumam ser incorretamente atribuídos a condições mais comuns, como hipertensão arterial, doenças virais e afins.

Assim, ao procurar um especialista o indivíduo é inicialmente submetido a uma entrevista de anamnese, onde normalmente são coletadas informações acerca dos hábitos de vida, estado de saúde física e histórico familiar de transtornos psiquiátricos. Quando as hipóteses de transtornos neuropsiquiátricos, doenças metabólicas e declínio cognitivo são descartadas, normalmente sugere-se avaliação através de exames complementares, preferencialmente os exames de imagem.

Contudo, técnicas avançadas de neuroimagem são fundamentais para se obter um diagnóstico verdadeiramente confiável. Por isso, durante a avaliação o Neurocirurgião será consultado para determinar o diagnóstico. As técnicas de neuroimagem que podem ainda ser solicitadas são:

  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética com difusão/perfusão e espectroscopia
  • Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET)
  • Cintilografia Tomográfica de Perfusão Cerebral (SPECT)

Formas de tratamento

Com relação ao tratamento do astrocitoma, as opções são:

  • Tratamento cirúrgico
  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Tratamento combinado entre as opções supracitadas

Cabe lembrar que um fator de melhor prognóstico é o grau de acometimento clínico do paciente e, por isso, um aspecto decisivo para o bom prognóstico do tratamento oncológico é o diagnóstico precoce e a motivação do paciente para aderir devidamente ao tratamento. Por isso, quanto mais cedo o indivíduo procurar um Neurocirurgião, mais bem sucedido será o tratamento.

Também é importante ressaltar que, além das complicações oncológicas, existem diversas complicações que podem acometer o Sistema Nervoso Central, sendo fortemente recomendado acompanhamento constante com o especialista (neurocirurgião) para fins de prevenção primária. Por isso, se você apresenta algum sintoma que possa estar associado a alterações no Sistema Nervoso Central, ou mesmo se você deseja cuidar melhor de sua saúde e fazer avaliações a nível de prevenção, entre em contato com nossa equipe hoje mesmo!

Posted in Coluna, Neurologia by Neuro Conceito
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