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Lombalgia

Lombalgia
0 27 de maio de 2020

A coluna vertebral é composta por um complexo conjunto de vértebras, discos e ligamentos que protegem a medula espinhal e auxiliam na manutenção da postura. Contudo, diversos fatores podem estimular a coluna vertebral de forma indevida, levando a alterações posturais, lesões e desconforto com implicações clínicas importantes. Um exemplo bastante comum de patologia que acomete a coluna é a chamada lombalgia.

Lombalgia – O que é?

A coluna vertebral é dividida em 4 regiões principais:

  • Coluna cervical
  • Coluna torácica
  • Coluna lombar
  • Coluna Sacro-coccígea

Assim, lombalgia é o fenômeno de dor que acomete a coluna lombar. A origem dessas dores pode ser proveniente de diferentes locais: dos músculos paravertebrais, das articulações (facetas) como é o caso das artroses, dos osteófitos (formações ósseas na borda da vértebra, também conhecido como “bico de papagaio”) dos discos (hérnias de disco), das próprias vértebras (casos de fraturas ou tumores).

Principais sintomas da lombalgia

O principal sintoma da lombalgia é dor na região lombar, que pode variar de intensidade, podendo chegar a crises de dor muito intensa, em que algumas pessoas experimentam a sensação de “travar”, interrompendo repentinamente a atividade que estão fazendo pela dor. Em alguns casos a dor pode aparecer unicamente quando a pessoa faz certos movimentos, como se abaixar subitamente, elevar pesos ou fazer movimentos de rotação do tronco. Contudo, também existem casos em que a pessoa pode sentir dor intensa mesmo estando em repouso.  É muito comum também queixa de irradiação da dor para nádega, coxa, perna e até o pé. Formigamentos e adormecimentos podem estar associados. Queixas de alteração sensitiva em região genital e peri-anal podem estar presentes e distúrbios esfincterianos (controle de diurese e evacuação) devem ser pesquisados.

Como isso impacta a vida da pessoa

Como já mencionado, a lombalgia é um fenômeno bastante comum, e estatisticamente cerca de 90% da população sentirá ao menos uma crise de dor lombar durante sua vida. Ainda assim, o fenômeno pode se manifestar de diferentes níveis, afetando mais algumas pessoas do que outras. Além disso, existem pessoas que se mostram refratárias ao tratamento com analgésicos, isto é, a medicação analgésica não apresenta efeito significativo no que se refere ao alívio da dor. Por isso, a lombalgia pode ter impactos clinicamente significativos na vida da pessoa, incluindo:

  • Desconforto associado à dor física
  • Dificuldade para se movimentar e perda da autonomia
  • Limitações em seu trabalho
  • Limitações em sua vida pessoal
  • Impactos psicológicos

A dor física decorrente da lombalgia pode ser incapacitante para estas pessoas levando a quadros inclusive de afastamento de suas atividades do trabalho para o tratamento.

Quando a dor na região lombar se intensifica, muitas pessoas acabam tendo perda da mobilidade durante os períodos de crise. Isso impacta diretamente sobre a autonomia da pessoa, uma vez que a pessoa fica impossibilitada de realizar atividades como:

  • Levantar pesos
  • Praticar esportes
  • Correr
  • Subir escadas
  • Carregar filhos no colo
  • Permanecer muito tempo sentada
  • Fazer movimentos de rotação com o quadril rapidamente

Privada de sua autonomia por conta da lombalgia, a pessoa tende a ter um impacto psicológico associado ao transtorno. Além disso, outros fatores psicológicos podem estar associados à lombalgia, tais como:

  • Ansiedade: enquanto a pessoa não possui um diagnóstico, é comum sentir a ansiedade elevada, sobretudo em momentos de crise que não responde bem ao tratamento medicamentoso e na iminência de novas crises.
  • Perda da autoestima: um dos fatores que impacta diretamente sobre a autoestima é a sensação de autonomia e independência. Assim, quando as crises de lombalgia levam a pessoa a ter perda de sua autonomia, é bastante comum a pessoa perder sua autoestima.
  • Sensação de impotência: diversas doenças podem se mostrar refratárias ao tratamento medicamentoso. No entanto, algumas pessoas sentem-se extremamente impotentes ao descobrir que seu organismo não responde bem ao tratamento medicamentoso de alguma doença, especialmente quando esta doença causa dor e perda da independência.
  • Quadros depressivos: pessoas com mais propensão ao sentimento de vulnerabilidade ou pensamentos catastróficos podem apresentar o humor deprimido diante de condições clínicas como a lombalgia. Além disso, o próprio quadro depressivo pode amplificar a percepção da dor, levando o paciente a uma bola de neve que progressivamente dor e depressão vão piorando com o passar do tempo. Nestes casos, é de extrema importância que a pessoa também procure tratamento psiquiátrico para auxiliar na regulação emocional e motivação.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco para a lombalgia, existem fatores de ordem genética/anatômica e fatores de ordem biomecânica. Os fatores genéticos envolvem a programação do processo de envelhecimento especificamente da coluna que herda-se dos pais. Este processo que está associado à formação de osteófitos (“bicos de papagaio”), artrose e alterações na estrutura dos discos intervertebrais podem levar a compressões de estruturas como raízes nervosas e medula gerando os sintomas, que tendem a piorar durante a movimentação. Os fatores biomecânicos dependem de relações da estrutura toda de nossa coluna e as relações das curvaturas naturais (lordoses cervical e lombar e cifose torácica) com o equilíbrio em relação à cabeça, bacia e o equilíbrio do corpo como um todo, podendo levar a uma necessidade de maior gasto energético pela musculatura, causando dor.

Contudo, a maioria dos casos de lombalgia parecem ser decorrentes destes fatores biomecânicos, como por exemplo:

  • Postura inadequada
  • Trabalhar em cadeiras com má postura ergonômica
  • Levantar cargas elevadas de forma indevida
  • Prática de atividades físicas sem supervisão de profissional
  • Dormir com travesseiro ou colchão inadequado para sua postura

Os casos de compressão, apesar de menos frequentes, são os mais perigosos pois podem em últimas instâncias levar à perda de funções neurológicas (força, sensibilidade, controle esfincteriano) eventualmente de maneira sequelar, sem recuperação mesmo com os tratamentos.

Como tratar

O “tratamento” sem nenhuma orientação médica (auto-medicação com analgésicos e anti-inflamatórios) definitivamente não é uma solução inteligente. Isso por que a dor pode ter causas diversas e não ser realizado o diagnóstico adequado e a demora na elucidação de algumas patologias poderem comprometer a eficácia do tratamento, levando muitas vezes à perpetuação das dores, entidade conhecida como Lombalgia Crônica, que se torna mais difícil de controlar a longo prazo. Além disso, o uso inadequado de certos medicamentos pode levar a efeitos colaterais indesejáveis como por exemplo gastrite e até mesmo insuficiência renal com uso crônico de Anti-Inflamatórios.

No que se refere ao tratamento, a lombalgia pode ser tratada de diferentes maneiras. Mesmo com os tratamentos adequados as respostas dependem também de fatores individuais e não podem ser padronizadas para todos. Por isso uma avaliação de um especialista em coluna seja importante já ao aparecimento dos primeiros sintomas para se estabelecer o diagnóstico e uma estratégia a médio e longo prazo para manejo adequado dessas dores. O tratamento inicial costuma ser “Conservador”, utilizando-se opções Medicamentosas (diversas classes e intensidades de drogas analgésicas podem ser utilizadas sempre se tentando o efeito desejado com a menor dose e menor potência possível), e geralmente auxílio de opções terapêuticas como Fisioterapia, Acupuntura, RPG (Readaptação Postural Global), Hidroterapia, Pilates, entre outros. Cada opção possui a sua particularidade e momento certo para ser indicada (não adianta utilizar uma opção que vai fortalecer a musculatura se a pessoa está em franca crise de dor). O acompanhamento e avaliação da evolução e resposta do paciente é fundamental para a reabilitação progressiva até retomada integral das atividades da vida diária. Os casos de não resposta podem levar a mudanças de estratégias e a persistência da dor ou recidivas frequentes da dor geralmente leva o paciente a condutas cirúrgicas. Atualmente as cirurgias apresentam grande segurança com resultado funcional excelente. Podem ir desde procedimentos de bloqueios e infiltrações até descompressões. Com técnicas menos invasivas hoje conseguimos realizar retirada de hérnias de disco e alta no mesmo dia, com recuperação rápida para retorno às atividades diárias e, inclusive, ao esporte. Cabe ressaltar que cada caso apresenta sua particularidade e nem todas opções terapêuticas podem ser aplicadas indiscriminadamente. A ponderação com o médico especialista é fundamental para não evoluirmos para uma condição de dores crônicas por insucesso de tentativas equivocadas de tratamento.

 

Para o sucesso do processo é fundamental o engajamento do próprio paciente em seu tratamento e manutenção de boas condições para sua coluna, tendo em vista que o processo degenerativo (de envelhecimento) não se pode alterar. Ter uma vida ativa, com prática regular de atividades físicas, atenção para a postura durante o seu trabalho ou mesmo durante o lazer (maneira que se senta em cadeiras e poltronas, manutenção ou limpeza de sua casa, gesto esportivo por exemplo a maneira que faz atividades na academia) e cuidados básicos de saúde principalmente relacionados a evitar ganhar peso e consequente sobrecarga mecânica da coluna. Igualmente, é de extrema importância consultar profissionais de saúde (em especial o especialista de coluna) sempre que sentir algum desconforto, pois toda patologia apresenta prognóstico melhor quando diagnosticada precocemente. Por isso, se você sente dores na região lombar ou desconforto para realizar algumas atividades, entre em contato com nossa equipe!

Posted in Coluna, Neurologia by Neuro Conceito
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